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Buracos.
Vi, certo dia desses, sua dor estampada nas estrelas que choravam e se abraçavam descompassadamente. Eu não entendo. Não entendo sua loucura de comer o céu e arrotar os buracos negros que ficam grudados na sua cavidade - aquela perto do coração. Não entendo quando você sorri para mim após nós nos entrelaçarmos e diz “eu quero morrer, porque não aguento”. Não entendo quando você olha pro céu e agarra o passarinho que voa livre e o observa e o põe rente à janela e chora. Você chora. E de longe eu fico perturbado porque nós parecemos dois estranhos convivendo dentro de uma casa triste. Eu não entendo seus cuspes no chão da sala e eu tendo que limpá-los para não haver constrangimentos. Eu não entendo seus olhos cavados, cheios de mundos e abismos que atraem-me e refluxam as dores que você engoliu. (…) As estrelas caíram ontem à noite, eu sorri. Você estava voando e nem sabia.
— Igor Pires (via convulso)

